Mais de um ano após a operação da Polícia Federal contra o forte esquema de corrupção no Presídio de Igarassu, no Grande Recife - com prisão do então diretor e de sete policiais penais -, presos continuam dando ordens aos demais e liderando comércios ilegais com a conivência da gestão estadual. A unidade prisional permanece como a mais superlotada de Pernambuco.
A constatação é do Conselho Penitenciário de Pernambuco (Copen/PE), que realizou uma nova inspeção na última quinta-feira (21) para verificar as condições de infraestrutura, limpeza, alimentação, integridade física dos detentos, entre outros.
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), a direção do presídio informou que o Presídio de Igarassu abriga atualmente 6.125 presos, embora a capacidade oficial seja de apenas 1.226 vagas. Sem espaço nas celas, parte dos reeducandos segue convivendo amontoada no pátio.
O efetivo é de apenas 106 policiais penais para garantir a segurança, sendo 23 distribuídos na área administrativa e o restante trabalhando em regime de plantão.
A gestão alegou ao Copen/PE que há a previsão de reduzir a população prisional para 4 mil pessoas com a transferência de parte dos presos para o Complexo Prisional de Araçoiaba, que segue em obras e tem deve ser inaugurado no segundo semestre deste ano. Ainda assim, Igarassu seguirá superlotado.
Durante a vistoria, os representantes do Copen/PE constataram a permanência da figura dos chaveiros, presos que comandam pavilhões, ditam regras aos demais detentos e, na maioria das vezes, têm contato direto com os policiais penais para possíveis negociações de privilégios.
Além disso, a inspeção identificou que ao menos 11 cantinas estão ativas sob o comando dos presos no Presídio de Igarassu. O comércio ilegal nas unidades prisionais gera superfaturamento de preços e disputas entre os detentos.
(Imagem: MPF/DIVULGAÇÃO)
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