A história da gastronomia em Igarassu tem origem nas águas da comunidade quilombola de Cuieiras, onde a pescadora Patrícia Maria transformou o aratu capturado no manguezal em propulsor do comércio local.
O que começou há três décadas como um prato improvisado para uma festa comunitária deu origem ao Bar da Fritada e à tradicional fritada de aratu, receita que hoje atrai visitantes ao litoral norte de Pernambuco.
A trajetória de Patrícia é fundamentada na rotina da pesca artesanal, atividade compartilhada por gerações de sua família em Cuieiras.
"Na pesca, a gente sofre muito. Não é fácil, a gente sai de madrugada, sai de 5 horas da manhã para ir pescar. Têm vezes que a gente vai e não volta com nada. É assim que a gente tira o sustento da comunidade. Eu me sinto tão orgulhosa de ser pescadora, filha de pescador e de ser quilombola", relata Patrícia.
Nos anos 1990, para participar de uma festa onde cada convidado deveria levar um prato, Patrícia decidiu combinar três ovos, um refogado de legumes e o aratu retirado do mangue. A criação, batizada inicialmente de "tapioquinha", ganhou popularidade entre os moradores.
Com o apoio de vizinhos e amigos, ela abriu o próprio estabelecimento, atendendo inicialmente ciclistas e motociclistas na calçada, momento em que oficializou o nome "fritada de aratu".
Com a realização do 1º Circuito Gastronômico IgaraMangue, promovido pela Prefeitura de Igarassu em parceria com o Sebrae e o Instituto César Santos, a cozinheira optou por desenvolver uma receita inédita para a competição em vez de concorrer com seu prato tradicional.
"Tive uma ideia de criar um novo prato: o camarão na água do coco verde. Só que o nome desse prato é 'Ah, tá papai', que fiz em homenagem ao meu pai e à comunidade de Cuieiras", explica a pescadora.
A participação no circuito, que reúne 16 estabelecimentos do município, gerou impacto direto na receita do restaurante.
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(Imagem: Divulgação)
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