Estudo divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu que, em 2021, oito crianças por dia foram levadas a hospitais por desnutrição no Brasil. O número é o maior dos últimos 14 anos. Em um ano, 2.939 crianças passaram pela situação.
Em 100 mil nascimentos, pelo menos 113 bebês foram internados; número 11% maior que em 2008, primeiro ano da pesquisa. O levantamento, publicado pelo Estadão, é do Observa Infância, que reúne pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz e da Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto (Unifase), de Petrópolis, a partir de dados do Ministério da Saúde.
Neste ano, de janeiro a agosto, o número de internações subiu 7%, ou seja, nove crianças por dia são internadas por falta de comida. A situação mais crítica é no Nordeste, onde o número de hospitalizações é 51% (171,5 a cada cem mil nascimentos) maior do que a média nacional.
Depois do Nordeste, as maiores médias são Centro-Oeste (122,8), Sul (107), Norte (101,9) e Sudeste (72). No Sudeste, mesmo que abaixo da média nacional, os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte compõem o ranking com maior taxa de hospitalização.
Em entrevista à imprensa, o coordenador da pesquisa, Cristiano Boccolini, ressalta que, embora sejam mais graves no Nordeste, os dados são alarmantes em todo o Brasil. “É preciso que sejamos mais eficientes em identificar e alcançar famílias com vulnerabilidade social”, afirma.
A pesquisa revelou ainda que, por maior que o número de desnutrição seja, a mortalidade infantil não aumentou no mesmo ritmo. Isso se deve ao fato de que o Sistema Único de Sáude (SUS) "segurou as pontas" com os tratamentos, segundo Boccolini.
O Ministério da Saúde declarou que, no ano passado (2021) destinou R$ 345 milhões aos estadoss para incentivar ações e fortalecer a atenção a crianças com menos de sete anos e gestantes com má nutrição. Além disso, informa que acompanha os dados sobre alimentação infantil e que implantou programas de suplementação nutricional para famílias de baixa renda.
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